Património Natural

O património natural do concelho de Terras de Bouro é de excecional riqueza e importância, tendo como consequência do mesmo, grande parte do seu território, sido integrado no único parque nacional existente no país (PNPG), aquando da sua criação, em 1971.

As montanhas, as fragas como a Calcedónia, os cursos de água dos quais se destacam os dois rios, Homem e Cávado, a importantíssima Mata da Albergaria com as árvores seculares, a fauna e flora únicas em algumas espécies fazem deste concelho uma pérola para os turistas que se deslumbram com as suas magníficas paisagens.

 

  • Serras e Montanhas Open or Close

    Um território de montanha representa um local por excelência para a promoção de novos destinos turísticos que aliados à riqueza do património natural e cultural, propiciam a prática e o fruir de actividades de recreio, lazer, em contacto permanente com o meio ambiente.


    O uso e conservação dos espaços naturais, são factores cruciais que importa atender no incremento do turismo e seus segmentos; turismo da natureza, turismo ambiental, turismo activo, ecoturismo. Trata-se de um movimento turístico que implica atrair visitantes do mundo urbano para estas áreas, por períodos mais curtos ou mais longos, criando alternativas ao tradicional turismo de massas. A criação de estratégias de preservação e gestão dos espaços naturais, a partir de actividades múltiplas e abrangentes, seja na componente natural, cultural, histórica e etnográfica, convertem-se em factores de grande potencial turístico. Por este conjunto patrimonial de extremo valor as empresas de animação, entre outra tipologia de organismos, têm possibilidades de fomentar um nível significativo de empregabilidade. Os recursos naturais, quando adequadamente geridos e utilizados permitem atenuar as assimetrias regionais, contribuir para o quadro de empregabilidade, suscitar um dinamismo e desenvolvimento local. Esta perspectiva, tem sido pronunciada, frequentemente e noutros tempos, como o fez Tude de Sousa, no ano de 1927, “é preciso que o turismo alpestre se crie e se desenvolva, é preciso escalar a montanha e fixar por lá temporadas de dias de pleno ar, de plena luz, de plena natureza. E nenhuma serra convida tanto como o Gerez, onde os homens e as árvores, as pedras e as águas, a sua fauna e a sua constituição própria, nascidas, criadas e irmanadas num admirável conjunto, oferecem ao forasteiro atractivos sem rival.” As serras do Gerês e Amarela, espaços naturais de grande importância, inseridos no Parque Nacional da Peneda-Gerês, têm sido palco de notáveis e interessantes observações orais e escritas, desenvolvidas por inúmeros especialistas de áreas distintas. Entre um vasto grupo de notáveis autores, destaca-se Miguel Torga que refere “A serra Amarela é um dos ermos mais perfeitos de Portugal. Situada entre o Gerês e o Lindoso, as suas dobras são largas, fundas e solenes. (...) Não há estradas, senão as da raposa matreira, nem pousadas, senão as cabanas dos pastores”. (Vilarinho da Furna, no Diário III, 25 Julho, 1943/46)

  • Serra do Gerês Open or Close

     

    A Serra e as Termas do Gerês têm sido palco de notáveis e interessantes observações orais e escritas, desenvolvidas por inúmeros especialistas de áreas distintas. Diante de um vasto número de autores, menciona-se Tude de Sousa ao referir “De estrangeiros e nacionais, todos quantos por turistas ou por intuitos scientíficos excursionaram no Gerês, são unânimes no côro levantado em honra das belezas da serra, firmada, além da estrutura, elevação e conformação especial de seus montes, na excelsa vegetação da sua flora e nas hilariantes canções das suas águas”. (SOUSA, 1926, p:6)

     

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     Serra do Gerês

     

    Importa referir que cada escritor, poeta, cientista, pintor, entre outros, tinham uma causa que os induzia a escrever, meritoriamente, a paisagem da Serra do Gerês, evocando-a como obra da Natureza, obra do Homem, como refere Sousa Costa numa das suas edições “Aqui no Gerês, no seio dêste concílio de picos em êxtase, alguns com perto de dois mil metros de estatura, sob a acção emoliente das árvores que ciciam e das água que cantam, água multiplicadas em ribeiros, em cascatas, em fontes, em repuxos, este opressivo torpor quási não deixa abrir os olhos para o formidável espectáculo da Natureza – a bôca sempre aberta nos bocejos de cada instante”.(COSTA, 1934,p:28)

    No ano de 1942, Tude de Sousa, procura legitimar a descrição das belas paisagens das Caldas do Gerês “E não só às Águas foram atribuídos esses estudos, como igualmente o foram à Serra, que é uma maravilha na paisagem portuguesa e que assegura uma riqueza sem limites na variedade e interesse peculiares da sua fauna, da sua flora e de toda a sua constituição, a pontos de o Gerez contar, como nenhuma outra estância e como poucas ou talvez nenhuma outra região do país, mesmo das mais privilegiadas, uma extensa e variadíssima bibliografia (...)”.

    Ainda referente às Termas e à Serra do Gerês, destaca-se uma observação do médico partidista do Gerês, José dos Santos Dias, que permaneceu nas Caldas do Gerês entre os anos 1811 e 1817, “Na Provínçia do Minho huma das mais povoadas e agricultadas do Reino de Portugal, existe a Serra do Gerês, notável pela sua grandeza, rara por suas produções, famigerada pelas suas Caldas. Esta serra estende-se na linha de Nordeste desde a freguesia de Rio Caldo (...); serra d’ organização primitiva bazada e trimenada em muntos dos seos cabeços por descarnadas, escaberozas, e alcantiladas rochas, d’aspecto medonho, d’altura inorme(...).” (DIAS, 2001. p:13/14).

    Esta área natural, premiada de Parque Nacional da Peneda Gerês, estende-se até à actualidade como único Parque Nacional. O autor Sousa Costa da Academia de Ciências de Lisboa (Lisboa, 1934:22) descreve de modo sublime o que a sua mente e os olhos lêem no horizonte “A paisagem do Gerez! Vinde vê-la, vinde admirá-la comigo. A serra, não sendo a mais alta, é a mais pitoresca do país. A mais abundante de águas, arvoredos, aspectos idílicos e trágicos. Começa lá em baixo, no vale em que o Cávado ruge. Desdobra-se até à Galiza em duas formidáveis vagas de granito – no seio das quais a Estância Termal repousa em sossego. Assenta os contrafortes nas margens do Lima, nos desfiladeiros do Barroso. Levanta-se quasi a prumo da frescura do vale, junto de Vilar da Veiga, primeiro, negra e escalvada, pouco depois verdejante de ramos. Aberta ao meio pela enorme garganta, em forma de V, que sobe, estreitando-se até às chãs de Leonte, prolonga-se, planando, até às veigas da Galiza, alteia-se em picos majestosos, que se aprumam dum e doutro lado da garganta, altares a que o arvoredo e as águas rezam as suas orações.”

    Tude de Sousa refere na época que (1909) “O Gerez é seguramente uma das regiões de mais pittoresco de Portugal, retalho do Minho, onde o imprevisto se seccede a cada momento, dando-nos, ora o bucolismo pacato de verdes e dilatados chão e planaltos, onde os gados pastam, e a frescura de frondosos e velhos arvoredos e ténues regatos, ora a vista selvagem de altos despenhadeiros e elevadas grimpas, de onde formosíssimas cascatas se precipitam na ancia de um suicídio louco e onde não se sabe que mais admirar, se a imponência do horisonte e das vistas que se disfructam, se a estranha contextura e orographia da serra”.

  • Serra Amarela Open or Close

    A serra Amarela desenvolve-se num extenso território que abrange a área de Terras de Bouro, bem como do concelho de Ponte da Barca. Trata-se de uma montanha áspera, concordante com o seu nome – Amarela -, cuja raiz etimológica significa, precisamente amargo, duro.

    As mariolas que harmonizam a paisagem agreste constituem marcas dos pastores aquando da guarda dos animais na serra. Actualmente, servem de marcas de sinalização a indicar o caminho certo do trilho pedestre, que vai ao encontro de sítios paisagísticos.

     

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     Serra Amarela

     

    O maciço montanhoso do Gerês fica-lhe fronteiro e nesta extensão de paisagem serrana prevalecem interessantes testemunhos arqueológicos relacionados com as duas mais importantes actividades exercidas pela população na serra: a defesa da fronteira e a pastorícia. A primeira expressa no complexo defensivo da Chã do Salgueiral e a segunda especialmente manifesta no fojo do lobo de Vilarinho.

    Na Chã do Salgueiral encontram-se, entre outros vestígios edificados, as casarotas e a trincheira, onde se fazia a defesa da célebre fronteira Portela da Amarela, tarefa cometida aos habitantes de várias aldeias do vale alto do rio Homem, já desde a Idade Média, como bem documentam as inquirições do século XIII.

  • Parque Nacional Peneda-Gerês Open or Close

    O Parque Nacional da Peneda-Gerês apresenta-se como a primeira área protegida a ser criada em Portugal (1971), pelo Decreto-Lei nº 187/71 de 8 de Maio, sendo o único com estatuto de Parque Nacional. Localiza-se na região norte de Portugal, compartindo fronteira com a Galiza, que forma uma paisagem contínua com o Parque Natural da Baixa Limia-Serra do Xurés, no município de Lóbios, em Espanha. O conjunto dos dois parques forma o Parque Transfronteiriço Gerês-Xurés. Além das áreas de influência dos rios Minho, Lima, Cávado e Homem, o PNPG faz parte dos maciços graníticos da Peneda, Amarela e do Gerês. Ocupa uma área de 69 693 hectares, abrangendo cinco Concelhos: Arcos de Valdevez, Melgaço, Montalegre, Ponte da Barca e Terras de Bouro. Neste último, ocupa 55,7% da área total concelhia.

     

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    Mapa do Parque Nacional da Peneda-Gerês (fonte: site do PNPG)

     

    A região que o integra é de predominância granítica e montanhosa, com altitudes que atingem os 1545m, no Pico da Nevosa, em Terras de Bouro. Parte das serras que o constituem sofreram intervenções do Homem, em continuidade, desde o tempo Neolítico.

    Mais informação: 

    Parque Nacional da Peneda-Gerês
    Avenida António Macedo
    4704-538 BRAGA
    Email: pnpg@icnf.pt
    Site: www.icnf.pt

     

    Delegação do Gerês
    Vilar da Veiga - Vila do Gerês
    4845-67 Terras de Bouro
    Email: pnpg.tb@icn.pt

  • Mata da Albergaria Open or Close

    A Mata de Albergaria é um dos mais importantes bosques do Parque Nacional da PenedaGerês (PNPG), constituída predominantemente por um carvalhal secular que inclui espécies características da fauna e da flora geresianas. Guarda também um troço da Via Romana - Geira - com as ruínas das suas pontes e um significativo conjunto de marcos miliários.

     

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     Mata da Albergaria

     

    A baixa presença humana nesta mata não rompeu, até há poucos anos, o frágil equilíbrio do seu ecossistema, cuja riqueza e variedade contribuíram para a sua classificação pelo Conselho da Europa, como uma das Reservas Biogenéticas do Continente Europeu. É também, nos termos do Plano de Ordenamento do Parque, classificada como Zona de Protecção Parcial da Área de Ambiente Natural.
    Entretanto, o peso humano tornou-se excessivo, em particular nos meses de Verão, e a regeneração dos componentes naturais passou a fazer-se mais lentamente, sendo já visíveis os seus efeitos nocivos.

    O Parque Nacional da Peneda-Gerês tem por missão assegurar a preservação desses valores patrimoniais. Para isso, e por consenso estabelecido entre o PNPG e as entidades locais - Câmara Municipal de Terras de Bouro e Juntas de Freguesia de Rio Caldo, Vilar da Veiga, S. João do Campo e Covide -, o Ayuntamento de Lobios e o Parque Natural Baixa Limia-Serra do Xurés, foi decidido aplicar um conjunto de normas, com as quais se procura criar alternativas à utilização do trânsito motorizado, através de novas formas de visita àquele .espaço.

    Não se pretende com estas disposições impedir o natural usufruto da beleza desta Mata. Pretende-se apenas ordenar a sua utilização, sensibilizando para novas formas de contacto com a Natureza, de modo a que os seus valores não saiam prejudicados e não nos vejamos, de futuro, privados de uma floresta que reúne características raras no país.

    Apelamos assim à compreensão e à colaboração de todos para que com o Parque Nacional, as autarquias e os residentes congreguem esforços para manter preservada, com toda a sua riqueza, a Reserva Biogenética da Mata de Albergaria, respeitando as seguintes disposições:

    1. A velocidade máxima de circulação é de 40 Km/hora;

    2. É proibido o estacionamento de quaisquer veículos, excepto os do PNPG, Autarquias, Forças de Ordem e Serviços de Bombeiros, bem como os conduzidos por naturais e residentes do concelho de Terras de Bouro, após autorização pela respectiva Junta de Freguesia (Rio Caldo, Vilar da Veiga, S. João do Campo e Covide), Câmara Municipal (restantes freguesias) ou Delegação do Parque Nacional no Gerês;

    3. Durante os feriados e fins de semana da época de Verão, é proibido todo o trânsito motorizado, excepto:

    3.1. Aos naturais e residentes do concelho de Terras de Bouro, mediante apresentação de documento de identificação;

    3.2. Às viaturas que se dirijam de e para a fronteira, percurso ao longo do qual não poderão efectuar paragens e onde deverá ser respeitado o limite máximo de velocidade indicado no local.

    4. Durante os dias úteis será autorizada a circulação de viaturas na Reserva, podendo o PNPG estabelecer impedimento equivalente ao dos fins de semana e feriados, desde que o excesso de tráfego o justifique;

    5. É interdito o trânsito de veículos pesados de mercadorias e de passageiros, excepto quando disponham de lotação não superior a 25 lugares ou de lotação compreendida entre os 25 e os 40 lugares, desde que enquadrados em visitas guiadas organizadas pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês, pela Câmara Municipal de Terras de Bouro ou pelo Parque Natural Baixa Limia-Serra do Xurés.
    Para além destas disposições, apela-se ainda ao respeito pelas normas de conduta habituais em espaços protegidos, tais como caminhar sempre pelos trilhos e caminhos existentes, não recolher plantas nem perturbar a fauha, não deixar lixo, não fazer fogo nem piqueniques.

    Estamos certos de que, com esta colaboração, a Mata de Albergaria conservará os seus valores, o que muito contribuirá para o enriquecimento de um património ambiental que a todos pertence.
    As presentes normas aplicam-se às vias de acesso e circulação na Mata de Albergaria e, designadamente, às seguintes estradas florestais:

    •Leonte - Portela do Homem
    •Bouça da Mó - entroncamento com a estrada referida anteriormente

    O texto completo do Edital de Acesso à Mata de Albergaria na Serra do Gerês encontra-se à disposição de todos quantos o pretendam consultar nos serviços do Parque Nacional da Peneda-Gerês e na Câmara Municipal de Terras de Bouro.


    Percursos alternativos:
    Gerês - Pedra Bela - Cascata do Arado - Ermida - Gerês
    Gerês - Ermida - Fafião - Cabril - Pitões das Júnias - Tourém
    Rio Caldo - S. Bento - Campo do Gerês - Junceda - Lamas - Gerês
    Rio Caldo - S. Bento - Campo do Gerês - Vilarinho da Furna - Brufe - Terras de Bouro ou Ponte da Barca

  • Albufeiras Open or Close

    A região de Terras de Bouro possui uma densa rede hidrográfica e apresenta duas importantes obras hidráulicas – albufeiras da Caniçada e de Vilarinho das Furnas – que constituem testemunhos da riqueza aquífera do território.

    Assim, salienta-se o rio Cávado que tem a sua nascente na Serra do Larouco e da sua rede hidrográfica há a destacar um dos principais afluentes: o rio Homem, com cerca de 45 km de comprimento, que nasce na Serra do Gerês, junto aos cumes do Outeiro Redondo e Carris, localizado a 1500 m de altitude. Percorre a Serra do Gerês e vertente Sul da Serra Amarela, atravessa o concelho de Terras de Bouro para desaguar nos concelhos confinantes de Vila Verde e de Braga.

    Na área concelhia encontram-se em exploração dois aproveitamentos hidroeléctricos pertencentes ao Grupo EDP – Electricidade de Portugal S.A. Vilarinho da Furna, uma albufeira criada em 1972, com 125 de potência máxima (MW), atingindo uma energia produtiva média anual de 184. A albufeira da Caniçada foi criada em 1954, com 62 de potência máxima (MW), atingindo 340 de energia produtiva média anual.

    O aproveitamento hidráulico de Vilarinho das Furnas representa o último grande empreendimento construído na bacia do Cávado, localiza-se no Rio Homem e os seus caudais são turbinados na central próxima à albufeira da Caniçada.

 

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